sábado, 4 de junho de 2011
Ainda guardo em mim remotas lembranças de infância
Sinto falta do cheiro de chocolate quente, das brincadeiras antigas e de amigos que pouco a pouco se perderam. Difícil é a hora em que a gente precisa deixar pra trás o sabor que tem ser criança, pra seguir em frente e enfrentar as responsabilidades de um quase adulto. Difícil deixar pra trás as risadas descompromissadas nas casas de amigos, as noites vendo desenho animado e as historinhas inventadas, pra começar a levar a vida muito mais a sério. Pra estudar mais, passar a ver filme de ficção científica e escrever histórias valendo nota pra prova de Redação. Difícil é deixar pra trás o primeiro amor, que de amor nem tinha nada, pra começar a viver a dor que se arde durante uma relação de amor verdadeiro. Difícil é ter que admitir que crescemos e começar a viver uma outra vida dentro de um único corpo. Difícil é dizer adeus às coisas que significavam tanto e se preparar para receber coisas novas que, talvez, nem tenha tanto valor assim. Que saudade de toda aquela irresponsabilidade, de toda falta de compromisso. Saudade dos sonhos bons, dos planos mal feitos. Saudade de tudo que fazia diferença, de tudo que me ensinou a ser quem eu sou hoje. Saudade do tempo que não volta nunca. Se bem que a vida é assim mesmo, somos obrigados a abrir mão das coisas. Somos obrigados a deixar pra trás os tempos de irresponsabilidade e de diversão infinita, pra aprender a lidar com as responsabilidades e a dor da vida adulta. No final, é sempre assim. Todos nós precisamos crescer.
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